sexta-feira, 19 de julho de 2019

Religiões: Vocabulário Básico



            Todas as religiões possuem um vocabulário peculiar através da qual expressam sua fé e realizam seus rituais. O conhecimento destes termos possibilitara àqueles que mesmo não participando de determinada expressão religiosa possam adquirir uma compreensão maior de seu significado. Nesse espaço vamos construindo um vocabulário básico dos termos que fazem parte das múltiplas religiões que perfazem o mundo religioso no qual estamos inseridos.
Aaronitas: descendentes imediatos de Arão, primeiro sumo sacerdote israelita, instituido por Moisés ainda no deserto. Seus descendentes (levitas) receberam treze cidades quando adentraram os limites de Canaã, nos dias de Josué. 
Abhidhamma: Compõe a terceira e para alguns a mais profunda parte das escrituras sagradas do Budismo. Suas origens remontam aos séculos IV e III AEC, desenvolvendo os ensinos são provenientes da antiga Suttanta. Ao menos duas escolas permaneceram, ainda que de posicionamentos distintos:  os sarvastivadina ao norte da Índia; e ao sul os theravada preservada na língua Páli. Ainda nos primeiros séculos EC o principal centro de atividades passou a ser o Ceilão onde se produziram diversos comentários procurando esclarecer muitos pormenores que haviam ficado irresolutos. Os principais comentaristas foram: Budaghosa, Buddhamma, Ananda e Dhammapala; uma introdução clássica foi produzida por Anuruddha ainda no século XI.
Ablução: Termo usado para designar a lavagem ritual religiosa destinada a remover simbolicamente as impurezas do ofertante antes da prática de atos religiosos ou depois de contato com coisas consideradas impuras.
Abraâmicas (religiões): São as denominadas tradições religiosas que têm na figura de Abraão o personagem fundante, o judaísmo, cristianismo e islamismo. Todas elas ensinam uma fé monoteísta; Deus como o criador distinto da criação; todo ser humano deve obediência a Deus.
A.C. [a.C.]: sigla para designar a divisão da História utilizando o surgimento de Cristo, prevaleceu por muitos séculos em todas as áreas do saber, mas atualmente tem sido muito questionado e outras opções tem sido utilizadas.
Acróstico: forma literária ou poética onde as letras utilizadas para iniciar versos ou estrofes, podem quando lido de cima para baixo formarem uma palavra, uma frase ou reproduzirem o alfabeto. O Salmo 119 foi elaborado em forma acróstica, pois cada verso inicia-se com uma letra do alfabeto hebraico. Outro exemplo é o poema que esta no livro de Lamentações (capto. 3).
Adivinhação: Tem um papel relevante dentro de diversos sistemas religiosos, tanto nos ramos africanos quanto das religiões provindas do Oriente Médio. É tido como meio para se descobrir respostas a toda sorte de questões espirituais ou físicas. Entre outras formas as principais são: oráculos e médium, mas ambas são intermediadas pelos espíritos. Os gregos e romanos utilizavam que antes de qualquer batalha ou ação política consultavam seus respectivos oráculos ou médiuns.
Adonai: um dos nomes de Deus na Bíblia. Significa "meu Senhor" e se constitui em um plural majestoso. Os israelitas o pronunciavam no lugar de "Yahvé" o nome pelo qual Deus se revelou a Moisés e se relaciona diretamente à Aliança. A Vulgata Latina emprega o substantivo "Dominus" (O Senhor), que tem o sentido de domínio, posse, soberania e árbitro.
A.E.C: "antes da era comum" nova forma de identificar os eventos históricos, substituindo o tradicional A.C. (antes de Cristo). A expressão "era comum" é o período histórico compartilhando tanto pelos judeus quanto pelos cristãos. Nos centros acadêmicos a tendência atual é utilizar A.E.C. em lugar de a.C.
Adventismo: É um movimento religioso milenarista que ensina que no retorno de Cristo haverá a implantação de um reino milenar sobre a terra. Esse conceito é antigo dentro do cristianismo, mas foi com William Miller, pastor batista americano (XIX) que o conceito de popularizou. Deste movimento incial surgiram diversas denominações sendo a mais conhecida a Igreja Adventista do Sétimo Dia. Também derivou-se outros movimentos religiosos periféricos como as Testemunhas de Jeová e os Cristadelfos.
Adventistas do Sétimo Dia: Um grupo dissidente do movimento produzido por William Miller adotou essa nomenclatura a partir de 1861. Sua ênfase está na prática religiosa estabelecida no Primeiro Testamento e/ou Antigo Testamento, com suas restrições alimentares. O conjunto de doutrinas por eles ensinadas se contrapõe ao pensamento ortodoxo evangélico brasileiro, de maneira que eles são tidos como uma seita exclusivista e sectária. Outro fator negativo é o fato de que eles dão o mesmo valor de Escrituras para as interpretações, visões, sonhos e revelações da profetiza Ellen White.
Aforismo: vem do grego e se refere a uma afirmação ou formulação de uma verdade. Os provérbios são exemplos e Jesus os utiliza de forma didática (Mt 6.21).
Agama: Composta por uma coleção de discursos do Buda (sutras), utilizados nas tradições budistas fundamentadas no sânscrito. Há quatro ágamas: Dirghagama, Madhyamagama, Samyuktagama e Ekottatikagama.
Aggadah: Refere-se ao material não-jurídico dos comentários rabínicos que versão sobretudo da teologia, ética e folclore judaico. Utiliza-se abundantemente das formas parabólicas e históricas para ilustrarem os princípios fundamentais da fé judaica. Os judeus ortodoxos entendem como sendo normativos e os judeus não ortodoxos os aceitam como referenciais.
Agnosticismo: É o conceito desenvolvido por T. H. Hunley (XIX) de que qualquer conhecimento sobre o ser divino, a imortalidade e o mundo sobrenatural é inacessível à mente humana e tornou-se um contraponto para aqueles que não desejam afirmar um ateísmo dogmático.
Aiatolá: É o título da maior autoridade do islamismo xiita e significa “Milagroso sinal de Deus”. O Xiismo tem dois centros religiosos principais estabelecidos nas chamadas cidades-santuários no Iraque e no Irã (Pérsia), onde os mujtahids (os que se esforçam por interpretar a fé) formulam os juízos autorizados em assuntos de fé e prática islâmica. A influência do Aiatolá muitas vezes extrapola a esfera religiosa e envolve-se diretamente com a esfera politica e jurídica do país.
Akhira: Refere-se à vida após a morte no Islamismo, em contraste com a vida presente (dunya). Para eles após o Juízo Final, os bons serão separados dos amaldiçoados (qiyama). Sua concepção de Paraíso é descrito em termos físico, tanto no Corão como no Hadith, em forma de um Jardim luxuoso (jannat al-firdaus), com todas as formas de prazeres sensuais, que tem sua culminância na visão gloriosa de Deus (Alá). Atualmente muitos interpretes do Alcorão tem incluído além dos prazeres materiais as bem-aventuranças espirituais. O inferno (jahannam), por sua vez, é um lugar de fogo, compartimentando em zonas concêntricas, para diferentes tipos de pecadores, comandado por Malik e demais demônios do inferno.
Alá (Allah): É o nome de Deus no Islamismo e ainda que de traduz incerta o nome pode significar “o Deus”. Ainda que essa divindade não fosse a única reverenciada na Arábia, o profeta Maomé o proclamou como sendo o único verdadeiro Deus. No Corão é acentuada a unidade (tauhid) de Deus e toda forma de politeísmo (shirk) torna-se pecado imperdoável. Alá é o criador de toda a existência (khalq), portanto controla toda a natureza; é o senhor soberano que haverá de julgar todo o gênero humano (qiyama) nos últimos dias.
Alef (א): Primeira letra do alfabeto hebraico. Corresponde ao Alif árabe, ao Alaf sírio e ao Alfa grego, na transliteração para o português não é uma vogal, mas uma consoante pronunciada com tom glótico e nos últimos tempos tornou-se uma letra completamente muda e sendo empregada como uma vogal para indicar um “a” longo (como em “carro”).  O nome significa “boi” e, na forma mais antiga da escrita hebraica, a letra tinha a forma de uma cabeça-de-boi. A raiz (ףלא) vem da raiz לא (El) e na bíblia hebraica é utilizada para se referir a “Deus” ou “deus”. Alef e Tav são a primeira e a última letra do alfabeto hebraico e a expressão de “alef a tav” significa “do começo ao fim”.
Aliança: É um termo caro ao judaísmo e cristianismo e tem sua origem nos tempos de Moisés. Deus escolheu a nação israelita para se constituir na comunidade da Aliança na qual Javé se compromete em acordo solene ser o Deus deles e Israel se comprometia em ser um povo obediente aos termos estabelecidos na Aliança, na qual os chamados Dez Mandamentos se constitui em uma síntese dos termos estabelecidos. Esse modelo pode ser encontrado nos tratados legais estabelecidos entre os soberanos e seus súditos (vassalos) no Oriente Próximo. Todavia, todas as vezes que o povo negligenciava os termos da Aliança o próprio Javé enviava-lhes um profeta para fazê-los lembrar dos termos estabelecidos na Aliança.  
 Alquimia: É a busca de uma substância (a pedra filosofal ou o elixir) que tem poderes de transformar (transmutar) metais inferiores em ouro ou ainda conferir imortalidade ao ser humano e que pode simbolizar a busca pela perfeição final. A alquimia é uma simbiose entre espiritualidade e a química utilizada por seus praticantes. Os alquimistas de origem chinesa (Tao Chiao) utilizavam os produtos químicos e as técnicas contemplativas para alcançar a harmonia espiritual e prolongamento da vida. No Ocidente a Alquimia chega através dos textos gnósticos (gnosticismo) que continham princípios de metalurgia. A ideia é que o ser humano é originalmente produzido de um metal inferior e precisa ser ou alcançar a transmutação para alcançar a perfeição espiritual. No mundo cristianizado alcança seu apogeu no período entre 1400 e 1700 e impulsionou a pesquisa cientifica (R. Boyle, 1627-91 e Sir Isaac Newton, 1643-1727) foram profundamente interessados nos princípios da Alquimia. Com o desenvolvimento científico a alquimia foi perdendo sua relevância e em meados do século XIX praticamente desapareceu no Ocidente. O psicólogo C. G. Jung (1875-1961) resgatou os princípios espirituais da Alquimia, para ele a Alquimia é o meio pela qual o processo de individuação é manifesto nos fenômenos da mudança química. A chamada medicina tradicional ou natural apropria-se de conceitos provindos da Alquimia.
Amesha Spentas: De acordo com o ensinamento de Zoroastro os Imortais “Sagrados” ou “Benéficos” são tradicionalmente sete, ainda que haja discordância entre os estudiosos. São seres celestiais, com certa semelhança com os arcanjos da crença cristã. Cada um deles torna-se guardião de uma das sete criações e são simbolicamente representados nos ritos centrais (Yasna). São descritos em formas humana tanto masculina quanto feminina. Cada um deles se constitui em aspectos da natureza divina que cada pessoa pode e deve compartilhar, com exceção Spenta Mainyu, o Espírito Santo. Eles habitam aqueles que buscam uma vida de virtude e devoção de maneira que cultivam os Imortais dentro dele. Os sete Imortais são: Ahura-Mazda (Sábio Senhor); Spenta Mainyu (Espírito Santo); Vohu Manah (Bom Propósito); Asha (Retidão); Khshathra (Poder, Reino); Armaiti (Devoção); Haurvatat (Saúde) e Ameretat (Imortalidade).
Amidah: Dentro da Liturgia judaica ela se constitui na Oração principal. O termo significa “estar em pé”, pois ela deve ser feita de pé e sempre voltado na direção de Jerusalém. É constituída de dezenove bênçãos, mas passou a ser conhecida como Shemoneh Esreh (Dezoito) com a inclusão no século II de uma bênção contra os hereges. Deve ser recitada três vezes ao dia, modificada apenas nos sábados (Shabbat) e nas Festas Religiosas (Chagin).
Ámon: Sua origem é Tebas, mas durante a dinastia XVIII os príncipes tebanos o elevaram à condição do deus supremo do panteão egípcio associando-o ao deus Rá (Ámon-Rá); nos templos de Karnak era adorado juntamente com a esposa Mut e o filho Khonsu. Foi tão popular que seu clero chegou a se constituir em ameaça a soberania real entrando em declínio e substituído pelo culto de Atón (Atonismo).
Anabatista: Significa “rebatizadores”, movimento pós Reforma Protestante (XVI). Exigiam que todos que foram batizados na infância deveriam serem rebatizados como marca da condição de membro da igreja cristã.
Anglicanismo: O nome dado à Igreja da Inglaterra após sua instituição pelo rei Henrique VIII e rompimento com a Igreja Romana. Ainda que no embalo dos movimentos reformistas protestantes a instituição anglicana optou por uma reforma mediana, mantendo elementos da teologia e liturgia católica romana e acrescentando elementos da teologia e liturgia reformada. Manteve a organização episcopal, mas cabe ao rei a primazia eclesiástica. Sua liturgia foi estabelecida no Livro de Orações Comuns (1662) e seus princípios teológicos na Lei dos trinta-e-nove artigos (1563). Sua presença no Brasil sempre foi diminuta, apesar de ter sido a primeira a construir um templo não católico no país.
Animismo: Equivocadamente relacionado aos sistemas religiosos de tradição africanos, todavia o termo foi originalmente utilizado por sir Edward B. Tylor (1832-1917), fundamentado nos pressupostos da teoria evolucionista de Darwin, como uma definição “mínima” de religião. A ideia é que o “ser humano primitivo” desenvolveu, através de sonhos, a concepção de anima, ou o princípio espiritual que anima os objetos materiais, de maneira que qualquer objeto da natureza ou lugares específicos, bem como as representações através de máscaras, totens, possuem poderes místicos e/ou espirituais. Para Tylor foi o medo que originou os cultos e o desenvolvimento da religião. Esse conceito caiu em desuso pelo fato de não levar em consideração as complexidades de muitas religiões que não oferecem um sistema religioso escrito.
Ano Sabático: de acordo com as leis registradas no livro de Levítico a cada sete anos, deveria haver um "Sabath" - um ano de "solene repouso" para o solo da terra de Israel (Lv 25.4). Alexandre, o Grande, inteligentemente suspendeu os impostos durante o ano sabático, todavia, os procônsules romanos foram intransigentes. [agrônomos provaram que este descanso da terra é fundamental para a preservação da qualidade do solo].
Antropomórfico: é o termo que se utiliza quando o escritor bíblico atribui qualidades humanas à Deus (ex. os olhos de Deus; a mão do Senhor, etc...).
Apócrifo: identifica toda a literatura extra-biblica, ou seja, aqueles livros religiosos que não foram incluindos no cânon tanto do Antigo Testamento quanto do Novo Testamento. Alguns desses livros foram incluídos no cânon bíblico católico e ortodoxo.            
Áquila [α´]: uma tradução bem literal do Antigo Testamento para o grego, datada próximo de 130 d.C. e foi incluída na terceira coluna da Héxapla.
Aramaico: é uma das línguas semitas e que compartilha de muitas semelhanças com o hebraico. Alguns textos bíblicos utilizam essa  língua (ex. Gn 31.47b; Ed 4.8-6.18; 7.12-26; Jr 10.11b; Dn 2.4b-7.28). O termo se refere ao povo arameu, nome pré-helenístico da Síria, Arã. Eles não estabeleceram um império poderoso, mas seu idioma predominou sobre todos os povos da região do Oriente Próximo e a razão é que criaram um sistema alfabético em substituição ao sistema cuneiforme até então utilizado. Após o exílio babilônico, quando a língua hebraica entrou em declínio, o aramaico se tornou o principal idioma do judaísmo, inclusive na Judeia, como fica evidenciado nas literaturas do Mishnah, Midrash e Talmud. Jesus e seus discípulos utilizaram o aramaico para se comunicar na diversas regiões da judaicas.
Arca da Aliança: era a caixa no qual Moisés depositou as tábuas de pedra contendo os termos da Aliança estabelcida por Deus com os israelitas, no monte Sinai. Demarcava também a presença gloriosa de Deus no meio de Seu povo. Temos o registro do desenho e da construção dela no capítulo 25 do livro do Êxodo. A Arca desapareceu completamente.
Arca da Lei: é um simples armário, forrado por dentro com seda ou veludo, no qual se guarda, em posição vertical, o Rolo da Lei [Pentateuco], em pergaminho (Sefer Torah). É a peça mais importante em um Sinagoga.
Asmoneus [Hasmoneus]: é o nome de uma família judaica (os Macabeus) e seus descendentes que iniciaram uma grande rebelião contra o domínio sírio em 167 a.C. e que em parte está registrada nos livros de Macabeus (1Mb 14.25-45) e do historiador Josefo (in Antiq. 20.8.11); ver vocábulo Macabeus.
Astarote: era um deusa do panteão cananita. Ela controlava o mar e era consorte de Baal, deus da fertilidade e da agricultura. Apesar de toda advertência de Deus, os israelitas acabaram se deixando seduzir por esses deuses, inclusive levantando altares e prestando-lhes cultos. O grande atrativo desses cultos cananitas eram seus rituais de fertilidade regadas a sexo com suas prostitutas sacerdotais.
Autógrafo: é o termo que se refere à edição original de um trabalho particular, escrito ou ditado pelo autor. É a primeira cópia da qual todas as cópias seriam mais tarde reproduzidas.
Baal: Figura central de muitas narrativas ugaríticas (Fenícias), onde ele é adorado como deus-guerreiro em Canaã. Ele é filho de El, principal divindade ugarítica; a consorte de Baal era Astartéia (Istar), deusa da batalha: suas filhas eram Mist e Dew. Após vencer Mot, deus da seca e da morte, Baal tornou-se o deus da chuva e da fertilidade da terra. Os profetas israelitas combateram de forma implacável os profetas de Baal.
Babilônios: São os remanescentes da última enfeudação dos Sumerianos. Após inumeras batalhas a Babilônia veio a se constituir na capital política e cultural de toda uma vasta região, incluindo Suméria e Acádia e posteriormente Mari e Eshnunna – tofdas poderosas cidades estados. O rei Hamurabi produziu um código de leis que perdurou por muitos séculos. O deus Marduque foi colocado como supremo. A epopeia de Gilgamesh , importante poema religioso em louvor de Marduque, narra entre outras coisas, a criação final do mundo por Marduque – incluindo uma versão do dilúvio mundial. Os babilônios ficaram famosos por suas observações astronômicas (astrologia) e sua ciência divinatória (adivinhação).
Babismo: Seita mulçumana que se derivou do xiismo persa no princípio do século XIX e se constitui em importante precursor do Bahaísmo.
Bahaísmo: Fundado por Baha’Ullah (1817-1892), inicialmente um babista. Deixando o espírito sectarista autoritário pós-xiita, tornou-se uma religião universalista. Ele sofreu aprisionamento e exílio por causa de suas crenças. Posteriormente viveu em Bahji onde escreve a obra Kitab-i-iqan (O Livro da certeza), contendo as leis e ensinamentos básicos dessa religião. Segundo ele Deus é transcendente e incognoscível, mas se manifesta através da criação e especialmente por meio de seus profetas, através dos quais Deus expressa sua vontade e atributos. Seu propósito maior é a paz universal, sustenta a unidade da raça humana, rejeita todo tipo de preconceito, ensina que todas as religiões partilham uma unidade essencial e oram pelos mortos. Se consideram não-dogmáticos, sem ritual público formal, nem clero e sem escrituras autorizadas. Seus locais de reuniões realizam devocionais informais e funcionam dentro de uma estrutura administrativa. Após a morte de Baha’Ullah, seu filho, Abbas Effendi (Abdul Baha) tornou-se seu sucessor e empreendeu o trabalho missionário na Europa e na América sendo amplamente divulgado em todos os Continentes. O centro administrativo localiza-se em Haifa, Israel. Para os islâmicos ortodoxos seus ensinamentos são considerados heréticos.
Bhagavad-Gita: A escritura hindu - “A canção do Divino Mestre” que se constitui no livro mais popular do Hinduísmo no Ocidente. É uma parte do épico, o Mahabharata, sendo datado entre 200 a.C. e 200 d.C. Para os hinduístas atuais, esse livro representa a essência da religião hindu, com a mensagem da existência de muitos caminhos para a salvação. A canção consiste em um longo diálogo, entre o herói, Arjuna, e seu cocheiro, na verdade o Senhor Krishna em forma humana (o que o herói desconhecia). Quando para iniciar a grande batalha de Kuruksetra, Arjuna hesitou em relação à morte de seus companheiros (entre os quais alguns familiares), mas é avisado por Krishna de que deve cumprir o se dever de modo imparcial – o que é apropriado para sua casta, como um guerreiro. Entre os estudiosos como o budista Edward Gonze, entendem que o tom piedoso do Gita é decorrente da influência do cristianismo, e a canção foi composta para opor-se aos ensinos cristãos. Em conformidade com esse texto hinduísta fica difícil defender que o hinduísmo é uma ideologia pacifista, a não ser que se interprete o cântico inteiro como sendo uma grande alegoria, o que os hindus de forma geral não aceitam.
Bhakti: Um dos três principais caminhos da salvação ensinado dentro do hinduísmo (Carma e Jnana). O significado deste termo é devoção, mas com o tempo passou a designar alguns movimentos dentro das religiões indianas, especialmente o hinduísmo, para os quais o termo significa o amor a Deus (ou deuses). Deste modo Bhakti é a submissão amorosa dos fiéis à divindade como meio de graça e salvação. O movimento Hare Krishna é provavelmente o mais popular movimento Bhakti no Ocidente.
Bíblia (cristã): A Bíblia da Igreja Cristã compreende duas coleções de escritos denominados de Antigo Testamento e Novo Testamento. A primeira parte é composta pelas literaturas contidas na Bíblia Hebraica (judaica); a segunda parte é composta pelas literaturas produzidas no primeiro século da era cristã. No Catolicismo Romano e nas Igrejas Ortodoxas (Oriente)a revelação da escritura tem de ser compreendida através da tradição da Igreja (autoridade). Após a Reforma Protestante resgatou-se a ideia de que as Escrituras se contituem em autoridade máxima de fé e prática em si mesma sem a autenticação eclesiástica.
Bodisatva: Refere-se ao ser que possibilita à iluminação ou estado búdico. Dentro da tradição budista maaiana, a ideia evoluiu de tal maneira que o Bodisatva veio a se constituir em uma figura redentora – que renuncia à iluminação para trazer a salvação a todos os seres sensíveis.
Brahma: Dentro da tradição hinduísta é o deus criador, quase sempre associado com os deuses Vixnu e Xivas, que perfazem uma “trindade”, onde Brahma é o equilíbrio entre os outros dois que são forças antagônicas: trevas e luz; morte e vida. Todavia, Brama não é mencionado nos hinos védicos (Veda), nos quais Prajapati é o deus criador. Brama é uma variante do vocábulo masculino Brâman ou “poder sagrado” - a realidade última. Apesar de Vixnu e Xiva serem cultuados, não há nenhum grupo para o qual Brama seja objeto de devoção (bhakti).
Brâhman: Vocábulo neutro referente ao poder mágico ou sagrada implícito nos sacrifícios da religião védica. Na teologia medieval hinduísta ocorreram muitos debates sobre a verdadeira natureza de Brama/brâhman.
Brâmanas: Antigos textos sagrados hindus, escritos na linguagem sânscrito, que ensina a razão fundamental e os princípios do sistema sacrificial dos Brâmanes.
Brâmanes: Casta sacerdotal da sociedade hinduísta. Eles constituem a mais alta casta ou varnas da sociedade védica e, ainda hoje, detêm alta posição social. A função deles é a transmissão das tradições sanscríticas sagradas (Veda) e a execução de rituais litúrgicos de sacríficio. Matar um brâmane era um dos cinco pecados mortais. Nem mesmo a autoridade do rei podia subjugar um brâmane. Na cosmologia hindu se ensina que no momento da criação, o brâmane emergiu da cabeça de Brahma. A partir do século XX essa posição dos brâmanes tem sido fortemente contestadas, como também todo o sistema de castas.
Bruxaria: É o sistema de crenças e práticas que envolvem poderes e agentes sobrenaturais que influenciam os assuntos humanos. Procura sempre se fazer uma distinção entre bruxaria e feitiçaria. No Ocidente a crença popular na bruxaria teve seu auge na Idade Média, quando muitas pessoas foram mortas em fogueiras acusadas de serem bruxas ou bruxos. Nos séculos seguintes decresceu, mas no final do século XIX através dos trabalhos de Gerald Gardner e outros ocultistas voltou a ser popularizada. Em muitos lugares porém, a bruxaria nunca perdeu seu status quo.
Budismo: É a designação ocidental para o que geralmente é conhecido na Ásia por Buddha-Sasana, a religião do Buda. Buda não é um nome próprio, mas um estado de ser, ou “o Iluminado” ou “o Despertado”. Tem suas origens no norte da Índia, quando um jovem príncipe Gautama teve uma experiência religiosa arrebatadora. Após isso ele começou a pregar a doutrina conhecida por “darma” os quais propõe transcender o sofrimento e a mortalidade e alcançar o novo estado do ser. Mas as ideias de budistas foram rejeitadas pelos sacerdotes hinduístas (brâmanes) e há muitas representações dos debates de Buda debatendo com os brâmanes. No transcorrer do tempo uma multiforme pluralidade de escolas budistas surgiram.



Me. Ivan Pereira Guedes
Centro de Pesquisa e Documentação
das Religiões no Guarujá (CPDR)

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