terça-feira, 23 de julho de 2019

RELIGIÕES: Introdução ao Hinduísmo


            As chamadas religiões orientais são pouco conhecidas pelos brasileiros que por séculos foram inseridos na região cristã católica romana e posteriormente pelas denominações protestantes evangélicas. A criação do Centro de Pesquisa e Documentação das Religiões no Guarujá visa preencher este vácuo histórico informativo sobre todas as vertentes religiosas, mesmo aquelas em que há pouca representatividade em nossa cidade.
Hinduísmo como religião mundial
Ainda que o hinduísmo seja praticado por pouco mais de treze por cento da população mundial ela encontra-se introduzida em praticamente todos os lugares do mundo e isto ocorre por causa da diáspora de indianos que se deslocam por todos os países do mundo (o mesmo ocorreu com o judaísmo).
Como ocorre com outras tradições religiosas antigas é difícil referir-se ao hinduísmo como uma religião monolítica, pois sua história implica em uma diversidade de tradições que se entrelaçam formando um tecido composto por textos sagrados, crenças e práticas distintas entre si e por esta razão estudiosos contemporâneos têm optado por se referir no plural “hinduísmos” e não no singular “hinduísmo” para pesquisa-lo.
O termo hinduísmo é um derivado do nome de um dos principais rios do Sul da Ásia – o Indus – e foi utilizado desde a época Persa para referir-se ao povo e território localizado ao noroeste do subcontinente.
Como expressão religiosa o termo, que englobava os hoje distintos hinduísmo, jainismo e budismo, foi a forma como os invasores muçulmanos os identificavam ainda na primeira metade do segundo milênio EC, e posteriormente foi o termo utilizado pelos britânicos para se referirem às religiões indianas no período em que dominaram a Índia no século XIX, para distingui-los dos mulçumanos e cristãos.
            Apesar de toda diversidade existente dentro do Hinduísmo – como ocorre em quase todas as religiões, incluindo o cristianismo, judaísmo e islamismo – é possível se encontrar, nesse caso com um grau maior de dificuldade, uma unidade conceitual com base em um conjunto de termos-chave ou crenças peculiares aos hindus, como crença no carma e no renascimento; a natureza impermanente e fundamentalmente sofrida do mundo (samsara – literalmente “divagação” – é o processo contínuo de nascimento morte, vida após vida, em muitas formas e condições diferentes de existência). Através desse processo é possível se libertar do sofrimento e renascimento e a obtenção de um estado permanente de bem-aventurança (moksha). Mas nenhum destes conceitos é exclusivo do hinduísmo, pois outras religiões como o budismo, o jainismo, o espiritismo e muitas religiões africanas também sustentam ensinos semelhantes.
            No exercício de distinguir o hinduísmo de outras religiões similares utiliza-se a categoria dos três caminhos: o caminho da ação ou ritual (karma marga), o caminho do conhecimento ou sabedoria (jnana marga) e o caminho de devoção (bhakti marga).
            Alguns estudiosos optam por distingui-lo com base em sua estrutura social – o sistema de castas – sustentada pela ideologia religiosa. A casta superior é a dos brâmanes, cujo termo Bramanismo (ou Bramanismo) tornou-se um sinônimo de hinduísmo, perpetuando o sistema de castas, com os brâmanes no topo. Mas muitos estudiosos questionam essa conceituação como expressão unificadora da religião hinduísta.
            Outra forma de se perceber a unidade do hinduísmo é o valor autorizativo que se dá aos livros Veda e Purana – os mais antigos e universalmente reconhecidos textos sagrados do hinduísmo. São nestas fontes que o hinduísmo fundamenta sua legitimação e seu fio condutor dentro do complexo de tradições índicas.
            No contexto da sociedade indiana o hinduísmo tem um impacto profundo e que na maioria das vezes é determinante nas relações sociais e culturais e que é utilizada pelos nacionalistas para perpetua-la. Desta forma, não é possível se compreender a sociedade indiana sem compreender os conceitos do hinduísmo.
Textos sagrados
            Como referido acima os livros Vedas e Purana se constituem nos textos sagrados, não únicos, do hinduísmo. As literaturas Vedas são as fontes utilizadas pela mais alta casta – os sacerdotes; enquanto que a literatura Purana é a fonte literária popular das castas mais baixas.
            Os Vedas foram originalmente escritos em sânscrito (língua clássica da Índia), mas por muito tempo foi preservado apenas na forma oral – significa “Conhecimento” e são divididos em quatro partes:  o Rig, o Yajur, o Sama e o Atharva - consiste de um Samhita (coleção de hinos, versos e cânticos), um Brahmana (no qual as origens míticas, os contextos e os significados do ritual são explicados), um Aranyaka (um texto da floresta, onde os significados mais esotéricos e secretos dos ritos são detalhados), e um Upanishad (composto de especulações místicas e ruminações filosóficas). Os Samhitas dos quatro Vedas estão correlacionados com as funções dos quatro principais sacerdotes do sacrifício védico e foram compostos e preservados por esses sacerdotes para o uso ritual. Cada um dos quatro Vedas tem várias recensões devido às diferentes práticas de diferentes escolas rituais. O Veda era, e continua a ser, memorizado sílaba por sílaba e transmitido oralmente por meio de um intrincado método de recitação. Mas atualmente é possível encontrar diversas versões impressas e traduzidas para muitas línguas, tanto indianas quanto europeias.
            Para um numero crescente de estudiosos a literatura contida nos Puranas, literalmente “velhos livros” é o coração do hinduísmo, que juntamente com as duas Grandes Epopeias, o Mahabharata e o Ramayana, que em seu conjunto recebem a nomenclatura de Itihasa ("história"), permeia consideravelmente na concepção religiosa dos hindus em sua grande maioria. Dessas a Epopeia Mahabharata se destaca e é referida por muitos líderes hindus como contendo o epítome de sua fé e tem sido o cerne de inúmeras palestras e livros sobre o hinduísmo.
            Tratando sobre essas literaturas Puranas o pesquisador Klaus K. Klostermaier destaca que coletivamente “essa literatura é a principal fonte do hinduísmo, como é praticada hoje por centenas de milhões de hindus, e é referida como autoritária por centenas de milhares de professores religiosos” (2008). De forma simples eles podem ser divididos em dois conjuntos literários: um grupo contendo dezoito livros chamados de Mahapuranas ("Grandes Puranas") e um conjunto muito mais amplo chamado de Upapuranas ("menores" Puranas). De acordo com Klostermaier os “Mahapuranas foram divididos em Vaisnava, Saiva e Sakta Puranas, exaltando respectivamente Visnu, Shiva ou Devi como Ser Supremo”, enquanto que as literaturas “Upapuranas, além destes, também exaltam Surya, o sol, Ganesa, o filho de cabeça de elefante de Shiva e Parvati, ou alguma divindade menos conhecida.” (2008). As grandes comunidades do hinduísmo como os Vaisnavas, Saivas e Saktas, fundamentam seus ensinamentos e rituais amplamente em seus respectivos Puranas.
Principais Conceitos ou Doutrinas
            Como mencionado acima o hinduísmo é uma religião heterogênea no que tange aos seus ensinos. Entretanto, é possível observarmos um seleto grupo de crenças que perfazem um núcleo central do seu sistema religioso, compartilhado por todos os grupos chamados “hindus”.
Carma e Renascimento
Na tradição indiana, carma significa originalmente “ação, trabalho ou feito”, mas religiosamente veio a significar o “efeito” de uma ação, ou a soma total dos “efeitos” de ações passadas. A vida de uma pessoa reflete tanto seus feitos passados quanto indicara sua vida futura. Desta forma, os rituais que começam com os samskara, ritos de passagem realizados em momentos críticos da vida de um jovem, têm como objetivo reparar as imperfeições do nascimento. No período védico, o trabalho ritual também continuou a se constituir no meio de criar uma vida após a morte desejável para si mesmo.
Na visão hindu todas as ações produzem frutos, bons ou ruins, que determinam a qualidade da vida de alguém. Essa lei moral e causal do carma aparece pela primeira vez nos primeiros Upanishads e também aparece como uma doutrina proeminente nas novas religiões que surgiram na índia na época, o budismo e o jainismo. Assim, acredita-se que a natureza das ações de uma pessoa - e a atitude com que as ações são realizadas - produzem consequências determinantes sobre o futuro da pessoa, tanto nesta vida quanto nos futuros renascimentos.
Dharma e o sistema Varnashrama Dharma
Esse conceito-chave do hinduísmo está intimamente ligado àqueles de carma e renascimento. O dharma é um termo multivalente que inclui dentro de seu alcance semântico religião ou retidão, mas também dever. O dharma significa não apenas buscar uma vida ética, mas também assumir os deveres próprios da classe ou casta em que se nasce (devido ao karma passado), e ao estágio da vida em que esta atualmente. Cumprindo o próprio dever (svadharma), como foi atribuído pelo nascimento e pela fase da vida, tem sido tradicionalmente um importante ideal hindu: "É muito melhor cumprir os deveres prescritos próprios, embora com defeitos, do que executar com perfeição os deveres alheios. A destruição durante o cumprimento do próprio dever é melhor do que ocupar-se nos deveres alheios, pois seguir o caminho dos outros é perigoso." (Bhagavad Gita, 3.35). A doutrina do svadharma, respaldada pelos conceitos de carma e renascimento, sustenta uma das instituições mais importantes e duradouras da Índia hindu, o sistema de castas. Desigualdades na vida atual são consideradas como resultado de diferentes karmas passados, e as desigualdades de um futuro projetado refletirão as recompensas e punições de ações feitas no presente.
Desde o tempo do Veda em diante, as quatro classes básicas da sociedade hindu - brâmanes, kshatriyas, vaishyas e shudras (servos) - receberam papéis e funções específicas e foram exortadas a não se desviar de tais deveres inatos. No topo está a classe cujo trabalho diz respeito à esfera religiosa; o sacerdote Brahman é, de acordo com os textos (não coincidentemente compostos por membros desta classe), para ser considerado como uma espécie de deus humano. Os Kshatriyas devem ser governantes e guerreiros e se engajar nas atividades apropriadas ao seu nascimento. Quanto aos plebeus, eles devem dedicar-se a ocupações preocupadas com riqueza e prosperidade, tendendo a pecuária e comércio. Os deveres e ocupações dos servos são diretos: servir humildemente aos membros das classes mais altas e esperar por um melhor renascimento. Finalmente, há as ocupações daqueles que vivem abaixo dessa hierarquia.
Samsara, libertação e as formas de alcançar a libertação
Outro conceito central no hinduísmo é a noção de que nascimento, morte e renascimento perpétuos ocorrem não apenas no nível dos seres humanos, mas do universo como um todo. O nome sânscrito para essa teoria é samsara, uma palavra que significa literalmente vagar ou passar por uma série de estados ou condições. Samsara descreve o ciclo sem começo e sem fim de morte e renascimento cósmico ou universal; toda a existência fenomenal é transitória, em constante mudança e cíclica. Correlativo a essa compreensão do mundo está a crença na natureza fundamentalmente ilusória do mundo das aparências - um conceito conhecido no hinduísmo como maya. É porque se é ignorante da verdadeira natureza da realidade que se percebe um mundo de diferenciação e mudança; e é por nossa própria ignorância que sofremos e produzimos carma.
Todas as tradições hindus postulam uma alternativa ao karma e ao renascimento e à roda do samsara ou romper esse circulo e evoluir. As principais alternativas são apresentadas, entre outras: a primeira é abrir mão de tudo e optar por um estilo de vida completamente ascética; uma segunda alternativa é através da yoga que propõe um alinhamento perfeito entre o espírito e o corpo; a terceira forma é através da busca permanente da sabedoria ou jnana, que significa ver além da aparência ilusória do mundo, alcançando assim uma sabedoria mística da natureza verdadeira unitária do universo e tudo o que é nisso. Ao se alcançar tal sabedoria experimenta-se uma transformação que se iguala a moksha, ou libertação - libertação da ignorância e também libertação do karma. Por fim têm o caminho da devoção e fé em uma divindade,[1] onde a pessoa dedica-se completamente a uma divindade personalizada e ao final dessa devoção alcança a salvação ou libertação do carma e a verdadeira felicidade. Em uma sociedade de castas radical, o movimento bhakti (devoção) tornou-se uma saída para aqueles da casta baixa e outros que haviam sido deixados de lado ou diminuídos pelo hinduísmo orientado pelas castas. A ênfase do movimento na devoção simples, na humildade e no poder da graça divina para redimir os mais miseráveis, tornou-se a forma ideal para se romper o processo cármico.
Entretanto, para a maioria dos hindus a libertação final parece estar fora de alcance nesta vida. A grande maioria simplesmente tenta viver virtuosamente e obter, como resultado, uma vida agradável aqui na terra e um melhor renascimento no futuro.
Sistema de Casta
Casta é o termo mais conhecido para descrever o cenário social tradicional hindu, no qual os grupos são organizados em uma hierarquia de status, geralmente baseada na pureza percebida da ocupação tradicional de cada grupo. Esse conceito surge a partir da história da criação na narrativa hindu, onde uma figura divina criadora se desmembra, de modo que cada uma das partes de seu corpo foi utilizada para compor o conjunto da criação. Cada Casta representa uma parte desse corpo divino:
Brâmanes - A mais alta das quatro principais castas da Índia criada a partir da cabeça do deus; representam oito por cento da população indiana, mas mantêm grande poder e autoridade. Em termos ortodoxos cabe somente a eles o exercício do sacerdócio.
Kshatriyas – Criados a partir dos braços do deus, que são associados à força e poder e representam os fortes, os combatentes, os guerreiros e as pessoas no campo de batalha; quinze por cento da Índia se enquadra nessa categoria. Atualmente qualquer pessoa com o poder de governar geralmente recebe o status kshatriya.
Vaishyas - Criados a partir das pernas do deus; estes são os comerciantes, fazendeiros e aqueles que cuidam da alimenta e necessidades básicas da vida; nove por cento da população.
Shudras – São aqueles que compõem a casta mais baixa e que foram feitos a partir dos pés do deus; os Shudra são criados para servir todos os demais e a eles esta vedada qualquer possibilidade de ascensão ou estudo e compõe vinte e nove por cento da população.
Dalits – São os párias ou seja, todos aqueles que não estão inseridos em nenhuma das Castas, quer por nascimento (seus pais eram Dalits), quer por desobediência às regras de castas e foram expulsos do sistema de castas e não podem mais participar de nenhum privilégio da sociedade indiana; representam quase metade da população.
Termos Essenciais no Hinduísmo
Brahman (Brâman) - representa de alguma forma a principal busca do hinduísmo. O brâmane é a realidade suprema e os hindus o definem de várias maneiras; alguns definem em termos de um deus pessoal (Brama), outros como uma série de deuses, outros ainda como uma essência que permeia o universo.
Atman (Atmã) - “Alma ou essência”; o fundamento de nosso ser e a base de toda a realidade e, em última instância separada dela.
Tat Tvam Asi - “Tu és um dos” ou “você é um servo do”; a principal percepção dos Upanishads é o reconhecimento de que sua essência é idêntica à essência do universo, portanto, se você puder entender a essência de seu próprio eu (ego), que é atman, então, por implicação, você poderá entender a essência de todo o universo.
Samsara - significa literalmente "fluxo"; o ciclo individual de vida e morte e renascimento, que nunca termina na cosmovisão hindu até que você tenha essa percepção de Tat Tvam Asi; O samsara é a principal questão do hinduísmo.
Maya – “mágica ou ilusão” é o poder de produzir uma falsa maneira de olhar o mundo devido à ignorância ou à sobreposição da realidade última sobre ele. Assim, os seres humanos se confundem em relação a verdadeira natureza do mundo e de si mesmos, de maneira que são mantidos na escravidão de seus desejos perpetuando o ciclo de reencarnação (satnsara) que vem disso; ao mesmo tempo, porém, essas pessoas não sabem que estão em escravidão.
Carma - “ato ou ação”; O carma afirma que toda ação é o efeito de uma causa; e, por sua vez, é a causa de um efeito.
Moksha - "soltura, liberação ou escape"; a busca da transcendência final da existência mortal. A pessoa rompe os laços do carma ou samsara quando finalmente alcança a verdade de Tat Tvam Asi; o equivalente soteriológico da salvação no cristianismo.
Monismo - Significa simplesmente que existe apenas um princípio último de existência dos quais todos os demais seres são apenas atributos e modos; a força unificadora no universo, da qual todas as demais são derivadas. Equivalente ao conceito teológico cristão de Deus a origem de toda existência.
Ioga - A quarta das seis Escolas da filosofia hindu; Ioga tornou-se o caminho para que uma pessoa possa alcançar samkhya, a essência da verdade, passando por vários exercícios de meditação e completo isolamento do mundo físico.
Satcitananda - Sat é “ser [absoulto]”, “cit” é consciência [compreender] e “ananda” é felicidade ou alegria [êxtase]; Satcitananda é a junção dessas três palavras (Consciência de felicidade absoluta), ou descrições dos três atributos de Brahman encontradas no final dos Upanishads, juntas em uma palavra.

Me. Ivan Pereira Guedes
Centro de Pesquisa e Documentação
das Religiões no Guarujá (CPDR)

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Religiões: Vocabulário Básico

Referências Bibliográficas
FLOOD, Gavin (Ed.) The Blackwell Companion to Hinduism. Blackwell Publishing Ltd, 2003.
GUÉNON, René. Introdução Geral ao Estudo das Doutrinas Hindus. São Paulo: IRGET, 2016.
HEXHAM, Irving. Dicionário de religiões e crenças modernas. Tradução Rogério Portella. São Paulo: Editora Vida, 2003. [Edição de Bolso].
HINNELLS, John R. Dicionário das Religiões. São Paulo: Editora Cultrix Ltda, 1995 (1989). [The Penguin Dictionary of Religions].
JONES, Constance; RYAN, James (Org.) Encyclopedia of Hinduism. New York, Facts on File, 2007.
KLOSTERMAIER, Klaus K. Hinduism: A Beginner's Guide. London: Oneworld Publications, 2008.
STODDART, William. O Hinduísmo. Tradução Alberto Vasconcellos Queiroz. São Paulo: IMBRASA, 2004.
WEBER, Max. The religion of India: the sociology of hinduism and buddhism. New York: The Free Press, 1958. (Uma abordagem sociológica).

Livro Sacro: Bhagavad-gītā Como Ele É – comentário em português (https://vedabase.io/pt-br/library/bg/). 



[1] As divindades adoradas no hinduísmo chegam a milhões de entidades diferentes, mas os mais populares são Brahma (criador do Universo), Shiva (Deus Supremo) e Vishnu (responsável pelo equilíbrio do Universo), bem como  Ganesha (Deus da sabedoria), Matsya (salvador da espécie humana) e Sarasvati (matrona das artes e da música) que também são muito cultuadas.

sexta-feira, 19 de julho de 2019

Religiões: Vocabulário Básico



            Todas as religiões possuem um vocabulário peculiar através da qual expressam sua fé e realizam seus rituais. O conhecimento destes termos possibilitara àqueles que mesmo não participando de determinada expressão religiosa possam adquirir uma compreensão maior de seu significado. Nesse espaço vamos construindo um vocabulário básico dos termos que fazem parte das múltiplas religiões que perfazem o mundo religioso no qual estamos inseridos.
Aaronitas: descendentes imediatos de Arão, primeiro sumo sacerdote israelita, instituido por Moisés ainda no deserto. Seus descendentes (levitas) receberam treze cidades quando adentraram os limites de Canaã, nos dias de Josué. 
Abhidhamma: Compõe a terceira e para alguns a mais profunda parte das escrituras sagradas do Budismo. Suas origens remontam aos séculos IV e III AEC, desenvolvendo os ensinos são provenientes da antiga Suttanta. Ao menos duas escolas permaneceram, ainda que de posicionamentos distintos:  os sarvastivadina ao norte da Índia; e ao sul os theravada preservada na língua Páli. Ainda nos primeiros séculos EC o principal centro de atividades passou a ser o Ceilão onde se produziram diversos comentários procurando esclarecer muitos pormenores que haviam ficado irresolutos. Os principais comentaristas foram: Budaghosa, Buddhamma, Ananda e Dhammapala; uma introdução clássica foi produzida por Anuruddha ainda no século XI.
Ablução: Termo usado para designar a lavagem ritual religiosa destinada a remover simbolicamente as impurezas do ofertante antes da prática de atos religiosos ou depois de contato com coisas consideradas impuras.
Abraâmicas (religiões): São as denominadas tradições religiosas que têm na figura de Abraão o personagem fundante, o judaísmo, cristianismo e islamismo. Todas elas ensinam uma fé monoteísta; Deus como o criador distinto da criação; todo ser humano deve obediência a Deus.
A.C. [a.C.]: sigla para designar a divisão da História utilizando o surgimento de Cristo, prevaleceu por muitos séculos em todas as áreas do saber, mas atualmente tem sido muito questionado e outras opções tem sido utilizadas.
Acróstico: forma literária ou poética onde as letras utilizadas para iniciar versos ou estrofes, podem quando lido de cima para baixo formarem uma palavra, uma frase ou reproduzirem o alfabeto. O Salmo 119 foi elaborado em forma acróstica, pois cada verso inicia-se com uma letra do alfabeto hebraico. Outro exemplo é o poema que esta no livro de Lamentações (capto. 3).
Adivinhação: Tem um papel relevante dentro de diversos sistemas religiosos, tanto nos ramos africanos quanto das religiões provindas do Oriente Médio. É tido como meio para se descobrir respostas a toda sorte de questões espirituais ou físicas. Entre outras formas as principais são: oráculos e médium, mas ambas são intermediadas pelos espíritos. Os gregos e romanos utilizavam que antes de qualquer batalha ou ação política consultavam seus respectivos oráculos ou médiuns.
Adonai: um dos nomes de Deus na Bíblia. Significa "meu Senhor" e se constitui em um plural majestoso. Os israelitas o pronunciavam no lugar de "Yahvé" o nome pelo qual Deus se revelou a Moisés e se relaciona diretamente à Aliança. A Vulgata Latina emprega o substantivo "Dominus" (O Senhor), que tem o sentido de domínio, posse, soberania e árbitro.
A.E.C: "antes da era comum" nova forma de identificar os eventos históricos, substituindo o tradicional A.C. (antes de Cristo). A expressão "era comum" é o período histórico compartilhando tanto pelos judeus quanto pelos cristãos. Nos centros acadêmicos a tendência atual é utilizar A.E.C. em lugar de a.C.
Adventismo: É um movimento religioso milenarista que ensina que no retorno de Cristo haverá a implantação de um reino milenar sobre a terra. Esse conceito é antigo dentro do cristianismo, mas foi com William Miller, pastor batista americano (XIX) que o conceito de popularizou. Deste movimento incial surgiram diversas denominações sendo a mais conhecida a Igreja Adventista do Sétimo Dia. Também derivou-se outros movimentos religiosos periféricos como as Testemunhas de Jeová e os Cristadelfos.
Adventistas do Sétimo Dia: Um grupo dissidente do movimento produzido por William Miller adotou essa nomenclatura a partir de 1861. Sua ênfase está na prática religiosa estabelecida no Primeiro Testamento e/ou Antigo Testamento, com suas restrições alimentares. O conjunto de doutrinas por eles ensinadas se contrapõe ao pensamento ortodoxo evangélico brasileiro, de maneira que eles são tidos como uma seita exclusivista e sectária. Outro fator negativo é o fato de que eles dão o mesmo valor de Escrituras para as interpretações, visões, sonhos e revelações da profetiza Ellen White.
Aforismo: vem do grego e se refere a uma afirmação ou formulação de uma verdade. Os provérbios são exemplos e Jesus os utiliza de forma didática (Mt 6.21).
Agama: Composta por uma coleção de discursos do Buda (sutras), utilizados nas tradições budistas fundamentadas no sânscrito. Há quatro ágamas: Dirghagama, Madhyamagama, Samyuktagama e Ekottatikagama.
Aggadah: Refere-se ao material não-jurídico dos comentários rabínicos que versão sobretudo da teologia, ética e folclore judaico. Utiliza-se abundantemente das formas parabólicas e históricas para ilustrarem os princípios fundamentais da fé judaica. Os judeus ortodoxos entendem como sendo normativos e os judeus não ortodoxos os aceitam como referenciais.
Agnosticismo: É o conceito desenvolvido por T. H. Hunley (XIX) de que qualquer conhecimento sobre o ser divino, a imortalidade e o mundo sobrenatural é inacessível à mente humana e tornou-se um contraponto para aqueles que não desejam afirmar um ateísmo dogmático.
Aiatolá: É o título da maior autoridade do islamismo xiita e significa “Milagroso sinal de Deus”. O Xiismo tem dois centros religiosos principais estabelecidos nas chamadas cidades-santuários no Iraque e no Irã (Pérsia), onde os mujtahids (os que se esforçam por interpretar a fé) formulam os juízos autorizados em assuntos de fé e prática islâmica. A influência do Aiatolá muitas vezes extrapola a esfera religiosa e envolve-se diretamente com a esfera politica e jurídica do país.
Akhira: Refere-se à vida após a morte no Islamismo, em contraste com a vida presente (dunya). Para eles após o Juízo Final, os bons serão separados dos amaldiçoados (qiyama). Sua concepção de Paraíso é descrito em termos físico, tanto no Corão como no Hadith, em forma de um Jardim luxuoso (jannat al-firdaus), com todas as formas de prazeres sensuais, que tem sua culminância na visão gloriosa de Deus (Alá). Atualmente muitos interpretes do Alcorão tem incluído além dos prazeres materiais as bem-aventuranças espirituais. O inferno (jahannam), por sua vez, é um lugar de fogo, compartimentando em zonas concêntricas, para diferentes tipos de pecadores, comandado por Malik e demais demônios do inferno.
Alá (Allah): É o nome de Deus no Islamismo e ainda que de traduz incerta o nome pode significar “o Deus”. Ainda que essa divindade não fosse a única reverenciada na Arábia, o profeta Maomé o proclamou como sendo o único verdadeiro Deus. No Corão é acentuada a unidade (tauhid) de Deus e toda forma de politeísmo (shirk) torna-se pecado imperdoável. Alá é o criador de toda a existência (khalq), portanto controla toda a natureza; é o senhor soberano que haverá de julgar todo o gênero humano (qiyama) nos últimos dias.
Alef (א): Primeira letra do alfabeto hebraico. Corresponde ao Alif árabe, ao Alaf sírio e ao Alfa grego, na transliteração para o português não é uma vogal, mas uma consoante pronunciada com tom glótico e nos últimos tempos tornou-se uma letra completamente muda e sendo empregada como uma vogal para indicar um “a” longo (como em “carro”).  O nome significa “boi” e, na forma mais antiga da escrita hebraica, a letra tinha a forma de uma cabeça-de-boi. A raiz (ףלא) vem da raiz לא (El) e na bíblia hebraica é utilizada para se referir a “Deus” ou “deus”. Alef e Tav são a primeira e a última letra do alfabeto hebraico e a expressão de “alef a tav” significa “do começo ao fim”.
Aliança: É um termo caro ao judaísmo e cristianismo e tem sua origem nos tempos de Moisés. Deus escolheu a nação israelita para se constituir na comunidade da Aliança na qual Javé se compromete em acordo solene ser o Deus deles e Israel se comprometia em ser um povo obediente aos termos estabelecidos na Aliança, na qual os chamados Dez Mandamentos se constitui em uma síntese dos termos estabelecidos. Esse modelo pode ser encontrado nos tratados legais estabelecidos entre os soberanos e seus súditos (vassalos) no Oriente Próximo. Todavia, todas as vezes que o povo negligenciava os termos da Aliança o próprio Javé enviava-lhes um profeta para fazê-los lembrar dos termos estabelecidos na Aliança.  
 Alquimia: É a busca de uma substância (a pedra filosofal ou o elixir) que tem poderes de transformar (transmutar) metais inferiores em ouro ou ainda conferir imortalidade ao ser humano e que pode simbolizar a busca pela perfeição final. A alquimia é uma simbiose entre espiritualidade e a química utilizada por seus praticantes. Os alquimistas de origem chinesa (Tao Chiao) utilizavam os produtos químicos e as técnicas contemplativas para alcançar a harmonia espiritual e prolongamento da vida. No Ocidente a Alquimia chega através dos textos gnósticos (gnosticismo) que continham princípios de metalurgia. A ideia é que o ser humano é originalmente produzido de um metal inferior e precisa ser ou alcançar a transmutação para alcançar a perfeição espiritual. No mundo cristianizado alcança seu apogeu no período entre 1400 e 1700 e impulsionou a pesquisa cientifica (R. Boyle, 1627-91 e Sir Isaac Newton, 1643-1727) foram profundamente interessados nos princípios da Alquimia. Com o desenvolvimento científico a alquimia foi perdendo sua relevância e em meados do século XIX praticamente desapareceu no Ocidente. O psicólogo C. G. Jung (1875-1961) resgatou os princípios espirituais da Alquimia, para ele a Alquimia é o meio pela qual o processo de individuação é manifesto nos fenômenos da mudança química. A chamada medicina tradicional ou natural apropria-se de conceitos provindos da Alquimia.
Amesha Spentas: De acordo com o ensinamento de Zoroastro os Imortais “Sagrados” ou “Benéficos” são tradicionalmente sete, ainda que haja discordância entre os estudiosos. São seres celestiais, com certa semelhança com os arcanjos da crença cristã. Cada um deles torna-se guardião de uma das sete criações e são simbolicamente representados nos ritos centrais (Yasna). São descritos em formas humana tanto masculina quanto feminina. Cada um deles se constitui em aspectos da natureza divina que cada pessoa pode e deve compartilhar, com exceção Spenta Mainyu, o Espírito Santo. Eles habitam aqueles que buscam uma vida de virtude e devoção de maneira que cultivam os Imortais dentro dele. Os sete Imortais são: Ahura-Mazda (Sábio Senhor); Spenta Mainyu (Espírito Santo); Vohu Manah (Bom Propósito); Asha (Retidão); Khshathra (Poder, Reino); Armaiti (Devoção); Haurvatat (Saúde) e Ameretat (Imortalidade).
Amidah: Dentro da Liturgia judaica ela se constitui na Oração principal. O termo significa “estar em pé”, pois ela deve ser feita de pé e sempre voltado na direção de Jerusalém. É constituída de dezenove bênçãos, mas passou a ser conhecida como Shemoneh Esreh (Dezoito) com a inclusão no século II de uma bênção contra os hereges. Deve ser recitada três vezes ao dia, modificada apenas nos sábados (Shabbat) e nas Festas Religiosas (Chagin).
Ámon: Sua origem é Tebas, mas durante a dinastia XVIII os príncipes tebanos o elevaram à condição do deus supremo do panteão egípcio associando-o ao deus Rá (Ámon-Rá); nos templos de Karnak era adorado juntamente com a esposa Mut e o filho Khonsu. Foi tão popular que seu clero chegou a se constituir em ameaça a soberania real entrando em declínio e substituído pelo culto de Atón (Atonismo).
Anabatista: Significa “rebatizadores”, movimento pós Reforma Protestante (XVI). Exigiam que todos que foram batizados na infância deveriam serem rebatizados como marca da condição de membro da igreja cristã.
Anglicanismo: O nome dado à Igreja da Inglaterra após sua instituição pelo rei Henrique VIII e rompimento com a Igreja Romana. Ainda que no embalo dos movimentos reformistas protestantes a instituição anglicana optou por uma reforma mediana, mantendo elementos da teologia e liturgia católica romana e acrescentando elementos da teologia e liturgia reformada. Manteve a organização episcopal, mas cabe ao rei a primazia eclesiástica. Sua liturgia foi estabelecida no Livro de Orações Comuns (1662) e seus princípios teológicos na Lei dos trinta-e-nove artigos (1563). Sua presença no Brasil sempre foi diminuta, apesar de ter sido a primeira a construir um templo não católico no país.
Animismo: Equivocadamente relacionado aos sistemas religiosos de tradição africanos, todavia o termo foi originalmente utilizado por sir Edward B. Tylor (1832-1917), fundamentado nos pressupostos da teoria evolucionista de Darwin, como uma definição “mínima” de religião. A ideia é que o “ser humano primitivo” desenvolveu, através de sonhos, a concepção de anima, ou o princípio espiritual que anima os objetos materiais, de maneira que qualquer objeto da natureza ou lugares específicos, bem como as representações através de máscaras, totens, possuem poderes místicos e/ou espirituais. Para Tylor foi o medo que originou os cultos e o desenvolvimento da religião. Esse conceito caiu em desuso pelo fato de não levar em consideração as complexidades de muitas religiões que não oferecem um sistema religioso escrito.
Ano Sabático: de acordo com as leis registradas no livro de Levítico a cada sete anos, deveria haver um "Sabath" - um ano de "solene repouso" para o solo da terra de Israel (Lv 25.4). Alexandre, o Grande, inteligentemente suspendeu os impostos durante o ano sabático, todavia, os procônsules romanos foram intransigentes. [agrônomos provaram que este descanso da terra é fundamental para a preservação da qualidade do solo].
Antropomórfico: é o termo que se utiliza quando o escritor bíblico atribui qualidades humanas à Deus (ex. os olhos de Deus; a mão do Senhor, etc...).
Apócrifo: identifica toda a literatura extra-biblica, ou seja, aqueles livros religiosos que não foram incluindos no cânon tanto do Antigo Testamento quanto do Novo Testamento. Alguns desses livros foram incluídos no cânon bíblico católico e ortodoxo.            
Áquila [α´]: uma tradução bem literal do Antigo Testamento para o grego, datada próximo de 130 d.C. e foi incluída na terceira coluna da Héxapla.
Aramaico: é uma das línguas semitas e que compartilha de muitas semelhanças com o hebraico. Alguns textos bíblicos utilizam essa  língua (ex. Gn 31.47b; Ed 4.8-6.18; 7.12-26; Jr 10.11b; Dn 2.4b-7.28). O termo se refere ao povo arameu, nome pré-helenístico da Síria, Arã. Eles não estabeleceram um império poderoso, mas seu idioma predominou sobre todos os povos da região do Oriente Próximo e a razão é que criaram um sistema alfabético em substituição ao sistema cuneiforme até então utilizado. Após o exílio babilônico, quando a língua hebraica entrou em declínio, o aramaico se tornou o principal idioma do judaísmo, inclusive na Judeia, como fica evidenciado nas literaturas do Mishnah, Midrash e Talmud. Jesus e seus discípulos utilizaram o aramaico para se comunicar na diversas regiões da judaicas.
Arca da Aliança: era a caixa no qual Moisés depositou as tábuas de pedra contendo os termos da Aliança estabelcida por Deus com os israelitas, no monte Sinai. Demarcava também a presença gloriosa de Deus no meio de Seu povo. Temos o registro do desenho e da construção dela no capítulo 25 do livro do Êxodo. A Arca desapareceu completamente.
Arca da Lei: é um simples armário, forrado por dentro com seda ou veludo, no qual se guarda, em posição vertical, o Rolo da Lei [Pentateuco], em pergaminho (Sefer Torah). É a peça mais importante em um Sinagoga.
Asmoneus [Hasmoneus]: é o nome de uma família judaica (os Macabeus) e seus descendentes que iniciaram uma grande rebelião contra o domínio sírio em 167 a.C. e que em parte está registrada nos livros de Macabeus (1Mb 14.25-45) e do historiador Josefo (in Antiq. 20.8.11); ver vocábulo Macabeus.
Astarote: era um deusa do panteão cananita. Ela controlava o mar e era consorte de Baal, deus da fertilidade e da agricultura. Apesar de toda advertência de Deus, os israelitas acabaram se deixando seduzir por esses deuses, inclusive levantando altares e prestando-lhes cultos. O grande atrativo desses cultos cananitas eram seus rituais de fertilidade regadas a sexo com suas prostitutas sacerdotais.
Autógrafo: é o termo que se refere à edição original de um trabalho particular, escrito ou ditado pelo autor. É a primeira cópia da qual todas as cópias seriam mais tarde reproduzidas.
Baal: Figura central de muitas narrativas ugaríticas (Fenícias), onde ele é adorado como deus-guerreiro em Canaã. Ele é filho de El, principal divindade ugarítica; a consorte de Baal era Astartéia (Istar), deusa da batalha: suas filhas eram Mist e Dew. Após vencer Mot, deus da seca e da morte, Baal tornou-se o deus da chuva e da fertilidade da terra. Os profetas israelitas combateram de forma implacável os profetas de Baal.
Babilônios: São os remanescentes da última enfeudação dos Sumerianos. Após inumeras batalhas a Babilônia veio a se constituir na capital política e cultural de toda uma vasta região, incluindo Suméria e Acádia e posteriormente Mari e Eshnunna – tofdas poderosas cidades estados. O rei Hamurabi produziu um código de leis que perdurou por muitos séculos. O deus Marduque foi colocado como supremo. A epopeia de Gilgamesh , importante poema religioso em louvor de Marduque, narra entre outras coisas, a criação final do mundo por Marduque – incluindo uma versão do dilúvio mundial. Os babilônios ficaram famosos por suas observações astronômicas (astrologia) e sua ciência divinatória (adivinhação).
Babismo: Seita mulçumana que se derivou do xiismo persa no princípio do século XIX e se constitui em importante precursor do Bahaísmo.
Bahaísmo: Fundado por Baha’Ullah (1817-1892), inicialmente um babista. Deixando o espírito sectarista autoritário pós-xiita, tornou-se uma religião universalista. Ele sofreu aprisionamento e exílio por causa de suas crenças. Posteriormente viveu em Bahji onde escreve a obra Kitab-i-iqan (O Livro da certeza), contendo as leis e ensinamentos básicos dessa religião. Segundo ele Deus é transcendente e incognoscível, mas se manifesta através da criação e especialmente por meio de seus profetas, através dos quais Deus expressa sua vontade e atributos. Seu propósito maior é a paz universal, sustenta a unidade da raça humana, rejeita todo tipo de preconceito, ensina que todas as religiões partilham uma unidade essencial e oram pelos mortos. Se consideram não-dogmáticos, sem ritual público formal, nem clero e sem escrituras autorizadas. Seus locais de reuniões realizam devocionais informais e funcionam dentro de uma estrutura administrativa. Após a morte de Baha’Ullah, seu filho, Abbas Effendi (Abdul Baha) tornou-se seu sucessor e empreendeu o trabalho missionário na Europa e na América sendo amplamente divulgado em todos os Continentes. O centro administrativo localiza-se em Haifa, Israel. Para os islâmicos ortodoxos seus ensinamentos são considerados heréticos.
Bhagavad-Gita: A escritura hindu - “A canção do Divino Mestre” que se constitui no livro mais popular do Hinduísmo no Ocidente. É uma parte do épico, o Mahabharata, sendo datado entre 200 a.C. e 200 d.C. Para os hinduístas atuais, esse livro representa a essência da religião hindu, com a mensagem da existência de muitos caminhos para a salvação. A canção consiste em um longo diálogo, entre o herói, Arjuna, e seu cocheiro, na verdade o Senhor Krishna em forma humana (o que o herói desconhecia). Quando para iniciar a grande batalha de Kuruksetra, Arjuna hesitou em relação à morte de seus companheiros (entre os quais alguns familiares), mas é avisado por Krishna de que deve cumprir o se dever de modo imparcial – o que é apropriado para sua casta, como um guerreiro. Entre os estudiosos como o budista Edward Gonze, entendem que o tom piedoso do Gita é decorrente da influência do cristianismo, e a canção foi composta para opor-se aos ensinos cristãos. Em conformidade com esse texto hinduísta fica difícil defender que o hinduísmo é uma ideologia pacifista, a não ser que se interprete o cântico inteiro como sendo uma grande alegoria, o que os hindus de forma geral não aceitam.
Bhakti: Um dos três principais caminhos da salvação ensinado dentro do hinduísmo (Carma e Jnana). O significado deste termo é devoção, mas com o tempo passou a designar alguns movimentos dentro das religiões indianas, especialmente o hinduísmo, para os quais o termo significa o amor a Deus (ou deuses). Deste modo Bhakti é a submissão amorosa dos fiéis à divindade como meio de graça e salvação. O movimento Hare Krishna é provavelmente o mais popular movimento Bhakti no Ocidente.
Bíblia (cristã): A Bíblia da Igreja Cristã compreende duas coleções de escritos denominados de Antigo Testamento e Novo Testamento. A primeira parte é composta pelas literaturas contidas na Bíblia Hebraica (judaica); a segunda parte é composta pelas literaturas produzidas no primeiro século da era cristã. No Catolicismo Romano e nas Igrejas Ortodoxas (Oriente)a revelação da escritura tem de ser compreendida através da tradição da Igreja (autoridade). Após a Reforma Protestante resgatou-se a ideia de que as Escrituras se contituem em autoridade máxima de fé e prática em si mesma sem a autenticação eclesiástica.
Bodisatva: Refere-se ao ser que possibilita à iluminação ou estado búdico. Dentro da tradição budista maaiana, a ideia evoluiu de tal maneira que o Bodisatva veio a se constituir em uma figura redentora – que renuncia à iluminação para trazer a salvação a todos os seres sensíveis.
Brahma: Dentro da tradição hinduísta é o deus criador, quase sempre associado com os deuses Vixnu e Xivas, que perfazem uma “trindade”, onde Brahma é o equilíbrio entre os outros dois que são forças antagônicas: trevas e luz; morte e vida. Todavia, Brama não é mencionado nos hinos védicos (Veda), nos quais Prajapati é o deus criador. Brama é uma variante do vocábulo masculino Brâman ou “poder sagrado” - a realidade última. Apesar de Vixnu e Xiva serem cultuados, não há nenhum grupo para o qual Brama seja objeto de devoção (bhakti).
Brâhman: Vocábulo neutro referente ao poder mágico ou sagrada implícito nos sacrifícios da religião védica. Na teologia medieval hinduísta ocorreram muitos debates sobre a verdadeira natureza de Brama/brâhman.
Brâmanas: Antigos textos sagrados hindus, escritos na linguagem sânscrito, que ensina a razão fundamental e os princípios do sistema sacrificial dos Brâmanes.
Brâmanes: Casta sacerdotal da sociedade hinduísta. Eles constituem a mais alta casta ou varnas da sociedade védica e, ainda hoje, detêm alta posição social. A função deles é a transmissão das tradições sanscríticas sagradas (Veda) e a execução de rituais litúrgicos de sacríficio. Matar um brâmane era um dos cinco pecados mortais. Nem mesmo a autoridade do rei podia subjugar um brâmane. Na cosmologia hindu se ensina que no momento da criação, o brâmane emergiu da cabeça de Brahma. A partir do século XX essa posição dos brâmanes tem sido fortemente contestadas, como também todo o sistema de castas.
Bruxaria: É o sistema de crenças e práticas que envolvem poderes e agentes sobrenaturais que influenciam os assuntos humanos. Procura sempre se fazer uma distinção entre bruxaria e feitiçaria. No Ocidente a crença popular na bruxaria teve seu auge na Idade Média, quando muitas pessoas foram mortas em fogueiras acusadas de serem bruxas ou bruxos. Nos séculos seguintes decresceu, mas no final do século XIX através dos trabalhos de Gerald Gardner e outros ocultistas voltou a ser popularizada. Em muitos lugares porém, a bruxaria nunca perdeu seu status quo.
Budismo: É a designação ocidental para o que geralmente é conhecido na Ásia por Buddha-Sasana, a religião do Buda. Buda não é um nome próprio, mas um estado de ser, ou “o Iluminado” ou “o Despertado”. Tem suas origens no norte da Índia, quando um jovem príncipe Gautama teve uma experiência religiosa arrebatadora. Após isso ele começou a pregar a doutrina conhecida por “darma” os quais propõe transcender o sofrimento e a mortalidade e alcançar o novo estado do ser. Mas as ideias de budistas foram rejeitadas pelos sacerdotes hinduístas (brâmanes) e há muitas representações dos debates de Buda debatendo com os brâmanes. No transcorrer do tempo uma multiforme pluralidade de escolas budistas surgiram.



Me. Ivan Pereira Guedes
Centro de Pesquisa e Documentação
das Religiões no Guarujá (CPDR)

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quarta-feira, 17 de julho de 2019

Projeto: Centro de Pesquisa e Documentação das Religiões no Guarujá (CPDR)

         Um aspecto fundamental que compõe a Sociedade é a religião, no caso aqui proposto a religião em todas as suas manifestações e expressões de fé. Ao resgatar a História das Religiões no Guarujá estaremos preservando um fator importante de nossa História local. O Centro de Pesquisa e Documentação das Religiões no Guarujá é um passo inicial que permitira e possibilitara a todos os cidadãos Guarujaense tomar conhecimento das suas matrizes religiosas. Outro objetivo do CPDR é se constituir em um acervo de pesquisa acadêmica para pesquisadores no Guarujá e região do Litoral Paulista.